Débora Simas Bate Recorde Mundial de Corrida na Esteira

A brasileira percorreu 866 km em 7 dias após superar dores extremas e privação de sono.
O limite biológico da corrida de rua ganhou um novo capítulo na história do esporte brasileiro. A ultramaratonista catarinense Débora Simas bateu o recorde mundial na esteira ao acumular impressionantes 866,21 quilômetros rodados ao longo de 168 horas ininterruptas de prova, no Beiramar Shopping, em Florianópolis. O feito superou com folga a antiga marca planetária da neozelandesa Emma Timmis (846,16 km).
Muito além do resultado numérico, a conquista da brasileira revelou uma verdadeira batalha tática entre a gestão mental e o colapso fisiológico provocado pela privação severa de sono e pela repetição biomecânica.
A Engenharia por Trás do Recorde Mundial
Sustentar o ritmo exigido para cobrir uma média superior a 123 km diários exigiu uma operação logística de nível cirúrgico:
- Nutrição e Hidratação em Movimento: Para evitar a perda de minutos preciosos, as refeições sólidas e a reposição de eletrólitos eram feitas com a esteira em funcionamento.
- Microciclos de Sono Fracionado: Os momentos de repouso eram reduzidos a curtos intervalos durante a madrugada, em uma estrutura montada logo atrás do equipamento.
- Auditagem e Arbitragem Rigorosa: A validação do recorde contou com o revezamento de 84 árbitros ao longo dos sete dias, além da retaguarda de uma equipe multidisciplinar com mais de 100 profissionais.
O Ponto Crítico: A Gestão de Crise no Quarto Dia
O momento de maior tensão na jornada aconteceu no quarto dia de desafio. Acometida por cãibras severas e dores articulares nos membros inferiores, a atleta enfrentou um pico de exaustão que esteve próximo de culminar em desmaio.
A reação da equipe técnica foi decisiva: reajustar a estratégia dos microdescansos e focar na recuperação muscular pontual sem deixar que a velocidade média caísse abaixo do teto de segurança. A resiliência de Débora transformou o momento crítico no catalisador para não apenas alcançar a meta inicial de 846 km, mas abrir mais de 20 km de vantagem sobre o recorde global anterior.
Da Aclamação Continental ao Topo do Mundo
A marca não surge por acaso, mas como fruto de um planejamento de longo prazo. Em 2019, no mesmo local, a corredora já havia gravado seu nome na história ao estabelecer o recorde sul-americano com 800,61 km.
Com vasta experiência em provas de ultradistância, incluindo o título da emblemática Brasil 135 Ultramarathon, a catarinense dedicou dois anos de treinos específicos para adaptar a passada ao impacto contínuo do piso sintético da esteira. O resultado consolida o Brasil no topo da ultramaratona mundial e demonstra como a preparação psicológica pode expandir os limites da performance humana.
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